sábado, fevereiro 21, 2009

Um amor no verão

Para YM.

Foi no verão que ela decidiu ir para a praia com as amigas. Antes de ir para a festa na terça-feira, ela conheceu ele, um amigo de seus amigos. Conversa vai, conversa vem. Ele não fazia o tipo dela. Não fazia até a hora em que simplesmente rolou. Quando ela beijou ele, nasceu uma paixão que tinha tudo para dar certo. Ela jurava que não, mas ele ligou no dia seguinte, convidando para sair. Se encontraram e decidiram passar o final de semana juntos. Foi o melhor final de semana da vida dela. Trocaram ideias, confidências e carícias. Ele, que era cantor, cantou para ela. Ele também cozinhou para ela, que mal se virava na cozinha. Ele comprou duas pulseiras com uma concha, uma para cada um.

A hora do adeus começou a chegar, e ele começou a esfriar com ela. Ele queria que ela superasse o final facilmente e começou tratá-la somente como uma amiga. Como ser somente amigos depois de tudo o que viveram? Desde esse momento, ela começou a sofrer. Continuaria sofrendo quando olhasse para as fotos, quando ouvisse as musicas que ele havia cantado para ela, quando olhasse para a pulseira com a concha. Para ela, uma historia que continuaria para além das outras três estações. Para ele, uma historia que aconteceu no verão.

Amor de verão é primo irmão do amor mal resolvido. Ambos foram bons, enquanto duraram, e embora a vida siga em frente, ele sempre irão nos fazer olhar para trás e imaginar como teria sido se tivessem continuado. Quando viajamos, nos permitimos fazer coisas que não faríamos em nosso habitual dia-a-dia. Nos tornamos mais autênticos, se permitindo cometer algumas loucuras. São essas loucuras que tornam o amor de verão tão sincero, intenso e inesquecível.

Ela que não havia entendido nada e que não entenderia mesmo que tivessem explicado. Seu coração não aprendeu a pensar. Ela que sabia que não iria durar muito, mas isso não a fez sofrer menos. Ela que esconderia a pulseira com roupas compridas quando o frio chegasse. Esconderia, mas ela continuaria lá. O mesmo aconteceria com seus sentimentos. Ela que ia aguentar o inverno que começava a chegar até o próximo verão. Se eles continuariam esse amor no próximo verão, se eles prolongariam esse amor para um inverno, se ela viveria outro amor no próximo verão, só o destino saberia responder (embora muitas vezes fazemos nosso destino)...

Enquanto isso, ela ia tentar retomar sua vida sem ele. Como havia sido até o último verão. Tentando não chorar como grandes garotas fazem, enquanto lá fora desabava uma chuva torrencial. Sofrendo com a partida de ambos, ao mesmo tempo em que o frio dava seus primeiros indícios de existência.

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