terça-feira, março 03, 2009

Remendos

Vai passar. Uma hora passa. Na hora, doeu o quanto doeu, e não teve anestesia que acalmasse a dor. Agora é só lembrança. E dá vontade de rir. O que semana passada era problema, hoje é solução. Chorar de novo? Só quando outra situação semelhante acontecer. A vida é uma puta. Vive aprontando para te deixar forte. Muitas vezes, te levando até a exaustão. Bobos são aqueles que acham que vamos para o purgatório quando morrermos. O purgatório é aqui e agora.

E tu olha para aquele post Fragmentos e ri, mas ri tanto. O que se faz com os fragmentos? Remenda-se. E vai-se vivendo até que venha algo que fragmente tudo de novo. É cíclico. Quando isso acontecer de novo, vai lá pegar os pedaços e reuní-los novamente. Já que aqui dentro parou de chover, pergunto-me quando vai parar de chover lá fora?

Reclamei tanto do verão e das férias. Mas não me lembrava do quão melancólico são os dias curtos e chuvosos, que caracterizam o inverno. A vida bem que poderia ser só dias de verão, escurecendo tarde, e com chuvas passageiras. Mas vem o inverno, te faz refugiar em teu casulo, aguentar o frio. Reflexão, sofrimento, evolução. A vida é cíclica como as estações. No entanto, em vez de repetir o que já aconteceu, ela acrescenta experiência ao longo de cada quatro estações vividas. O outono ainda não começou, mas já voltei para minha vida. Ela não é ruim, mas eu não me lembrava do preço que eu pagava para vivê-la. Olha que o pior de tudo nem começou ainda, as aulas.

Falando mais do que deveria, e fazendo o que mais odeio: falar da minha vida. É culpa do alcóol. Pode parecer bobagem, mas minha vida não seria a mesma se não fosse ele. Não devo necessariamente beber mais, mas ficar mais alcoolizado. A certeza que fica é a vida valerá mais a pena, sem sombra de dúvida. Termino com um poema que li no ônibus- sim, eu os leio - que vai ao encontro do que acabo de dizer.

HAIKAI -Rafael Vecchio

“levei-me muito a sério”
lamenta o epitáfio
no cemitério

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